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PRIORIDADES



Paz não se pede, paz se conquista 
E não será com guerra pois guerra-santa não existe, não insista 
Guerra-santa, paz satânica? Acho que não 
Permita-me lembrar o que disse o avatar mais notado da história da nossa esfera: "não sobrará pedra sobre pedra" 
Pois se querem mesmo a paz, porque as armas continuam a ser fabricadas em massa em nossa era? 

Tudo nesse mundo é emprestado, não faz sentido algum então ficar apegado, agregado ao que não te leva mais além, não te deixa sossegado 
Pois se a liberdade hoje se parece com um cigarro ou com o carro mais potente do mercado 
Me desculpe, mas as bolas foram trocadas bem na sua frente 
E você nem se tocou: pagou, comprou, levou assim mesmo o seu atual presente: felicidade completa como uma boca sem dente, tão libertária quanto uma bola de ferro com corrente algemada aos seus pés. 
Eu digo: crescimento econômico não gerará paz na terra, já que a estatística do lucro não leva em conta a miséria. Também pudera: Miséria de alma gera miséria humana, nada mais, nada menos que o reflexo da nossa atmosfera interna. 
Supunhetemos, hipoteticamente, então, distribuição ecumênica de renda e informação, os primeiros passos de evolução nesse plano, além de iluminar com sapiência divina o parco conhecimento humano 
Pois nessa época de carro na frente dos bois; supérfluo na frente, necessidade depois
Nossa capacidade de enxergar a realidade vale mais do que a riqueza de mil cidades

Priorize as prioridades, amizade,
priorize as prioridades, cumpadi,
priorize as prioridades, camaradagem,
priorize o que fará diferença na sua passagem.

Somos atores que vestiram a carapuça e se confudiram com seus personagens; auto-sabotagem 
Esmagamos a nós mesmos com nossa auto-imagem 
A tal da ego-esclerose como diria o professor Hermógenes 
Mas veja bem, não tô aqui numa de inquisidor pois como se diz: "Hoje pavão, amanhã espanador" 
Nos encontramos no mesmo titanic 
Até o último minuto, você me pede que fique, eu digo que fico, 
Porém me confudir com um fanático religioso é o mesmo que confudir remédio pra micose com pó-de-mico 
Osmose é como classifico quase que de vez em sempre o comportamento humano: o que quase todos fazem é o certo, o resto é pura viagem. Ledo engano. 
Então é isso: "living la vida tosca"! No acordo, o chifrudo entra com a pemba, o mundo inteiro entra com a rosca
Pede a Deus que te livre das moscas, mas não pensa em nenhum momento em limpar realmente a sua casa;
Para esse tipo de atitude eu faço como Tim Maia, o mestre, fazia quando queria passar o lima nos seus shows na gringa: "Send the lima!" 

Pois nessa época de carro na frente dos bois, o que é necessário não pode ser deixado pra depois 
Nossa capacidade de enxergar a realidade será nosso passaporte de liberdade (off tha babylon)

Nosso maior inimigo somos nós mesmos.
Reféns de nossa própria ignorância (ignorância da própria). 
Orgulho, às vezes o que o espelho mostra é duro de ver
Admitir que o que tu critica é bem parecido com você.
Realidade que choca, mudança de comportamento tão lenta quanto uma tartaruga judoca 
Corpo sem alma é como um vinil que não toca.
Na real, a gente é como o sol, não nasce nem morre, só sai do campo de visão normal 
E como ele, energia eterna, irmão.
Transição de milênio, reta final 100%
Os dias passam na velocidade de um pavio de bomba aceso…

BNegão.

A ÁGORA CARIOCA


(Publicado originalmente no jornal O Globo, edição de 4/6/2012)

Vivemos tempos de uniformização dos costumes, fruto do tal de mundo globalizado. Em cada canto desse mundaréu, ligado por redes transnacionais de telecomunicações, as pessoas assistem aos mesmos filmes, vestem as mesmas roupas, ouvem as mesmas músicas, falam o mesmo idioma, cultuam os mesmos ídolos e se comunicam em, no máximo, cento e quarenta toques virtuais. Nessa espécie de culto profano, em que a vida cotidiana é regida pelos rituais em louvor ao mercado que não é o de Madureira, o bicho pega e as ideias morrem, como outro dia morreu de morte matada o acento em ideia, sem choro nem vela e sem a dignidade de um samba do Noel.

Eu, que trabalho com adolescentes e adultos jovens, percebo que as crenças e projeções de futuro da rapaziada foram substituídas pelo pânico cotidiano - do assalto e das doenças, no âmbito pessoal, às catástrofes ambientais, na esfera coletiva. Cria-se uma lógica perversa: Como posso morrer de bala perdida, pegar gripe suína ou sucumbir ao aquecimento global, preciso viver intensamente o dia de hoje.

Ocorre que essa valorização extremada do tempo presente é acompanhada pela morte das utopias coletivas de projeção do futuro. Não há mais futuro a ser planejado. Somos guiados pelos ritos do mercado e abandonamos o mundo do pensamento, onde se projetam perspectivas e são moldadas as diferenças. Restam hoje, nesse desalento, duas tristes utopias individuais, em meio ao fracasso dos sonhos coletivos - a de que seremos capazes de consumir o produto tal, cheio de salamaleques, e a de que poderemos ter o corpo perfeito.

Transformam-se, nesse tempos depressivos, os shoppings e as academias de ginástica nos espaços de exercício dessas utopias tortas, onde podemos comprar produtos e moldar o corpo aos padrões da cultura contemporânea - o corpo-máquina dos atletas ou o corpo esquálido das modelos. É a procura da felicidade que não tem, como na esquecida e sábia canção natalina. E tome de caixinhas de Prozac no sapatinho na janela.

É aí que localizo, na minha cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, o espaço de resistência a esses padrões uniformes do mundo global: O botequim. Ele, o velho boteco, o pé-sujo, é a ágora carioca. O botequim é o país onde não há grifes, não há o corpo-máquina, o corpo em si mesmo, a vitrine, o mercado pairando como um deus a exigir que se cumpram seus rituais.

O boteco é a casa do mau gosto, do disforme, do arroto, da barriga indecente, da grosseria, do afeto, da gentileza, da proximidade, do debate, da exposição das fraquezas, da dor de corno, da festa do novo amor, da comemoração do gol, do exercício, enfim, de uma forma de cidadania muito peculiar. É a República de fato dos homens comuns.

É nessa perspectiva que vejo a luta pela preservação da cultura do boteco como algo com uma dimensão muito mais ampla do que o simples exercício de combate aos bares de grife que, como praga, pululam pela cidade e se espalham como metástase urbana.

A luta pelo boteco é a possibilidade de manter viva a crença na praça popular, espaço de geração de ideias e utopias - fundadas na sabedoria dos que têm pouco e precisam inventar a vida - que possam nos regenerar da falência de uma (des) humanidade que se limita a sonhar com o tênis novo e o corpo moldado, não como conquista da saúde, mas como simples egolatria incrementada com bombas e anabolizantes cavalares. O botequim é, portanto, o antishopping center, a recusa mais veemente ao corpo irreal dos atletas olímpicos ou ao corpo pau-de-virar tripa das anoréxicas, sintomas da doença comum desse mundo desencantado: metáforas da morte.

Ali, no velho boteco, entre garrafas vazias, chinelos de dedo, copos americanos, pratos feitos e petiscos gordurosos, no mar de barrigas indecentes, onde São Jorge é o protetor e mercado é só a feira da esquina, a vida resiste aos desmandos da uniformização e o Homem é restituído ao que há de mais valente e humano na sua trajetória - a capacidade de sonhar seus delírios, festejar e afogar suas dores nas ampolas geladas feito cu de foca. É onde a alma da cidade grita a resistência.

Esse combate, amigos, é muito mais significativo do que imaginam os arautos modernosos e seus programadores visuais. Botequim, afinal de contas, tem alma, é entidade, terreiro carioca, feito os trapiches e sobrados do cais do porto em noite de lua cheia.

Luiz Antonio Simas do Histórias Brasilieras

SOLDADO SEM BANDEIRA


Minha tropa vem do esgoto igual Morlock roto esfarrapado 
Os lock escroto em choque eu percebo os outros indo pro lado 
Se nós chega, sem glock, 9 nem precisa é só no psico 
a frieza do nosso olhar já planta medo nos bico 
Os vidro sobe, quem deve se apavora 
pensando: "E se eles quisessem se vingar da escravidão agora?" 
To pra morrer igual os 300 de Esparta 
vocês duvidaram até chegar o teco de orelha nas carta 
E agora é sério, nóiz num ta de brincadeira não 
você ainda acha que a guerra memo é no Afeganistão? 
Seus rato se camufla com a roupa da cor da babilônia 
E as quadrada cromada brilhando mais do que Antônia 
Nego fujão de alma vazia com banzo tudo confuso 
De capuz cabisbaixo no ultimo banco do buzo 
Reprimindo ódio, procurando razão pra viver 
Problema pra nós não é morrer, foda é num ter um porquê 
Distancia faz desconhecer, desconhecer trás o medo 
Medo faz agir, você sabe como termina o enredo.. 
Quantos se foram? Quantos ainda vão? 
Será que eles que se foram mais cedo, foram em vão? 
Isso é nação e cê na ação é encenação hienas são alienação me vê em ação 
sobrevivendo tipo estrategista 
Vendo o caixão de vários jão descendo em vão e assim se vão, descanse então 
Se esse é o prêmio da guerra racista 
Classista, que fragmenta, divide e enfraquece 
Dinheiro pros sem caráter, dor pra quem não merece 
Resta aparando as aresta, contá ca sorte 
Sabendo que: uma bala, sempre gera bem mais que uma morte 
E cada bala que alcança as mansão e os honda fit 
Ondo eu moro já varo mais de vinte madeirite 
Nóis ta no front e eu to na linha de fogo 
Fazer o que? num fiz as regra não tio eu só jogo o jogo


Ser favelado é ser soldado de bandeira nenhuma 
Desconfiar dos dois lados sem temer coisa alguma 
Nasceu no meio da guerra então se acostuma 
Vou até o fim, tiu, eu sou assim, tiu 
Ser favelado é ser soldado de bandeira nenhuma 
Desconfiar dos dois lados sem temer coisa alguma 
Nasceu no meio da guerra então se acostuma 
Vou até o fim, tiu, eu sou assim, tiu


Entre as pressão e as repressão 
alguns acata outros ataca (né) mas todos tão aí sem direção 
Ninguém mais é semelhante, todo mundo é concorrente 
Pra ta no topo pisa no crânio do próprio irmão 
Uma legião bebe da depressão que eu carrego 
Vejo vários Sun Tzu de chinelo com prego 
marcha pro precipício filho da cultura Frankenstein 
E marcha, igual os heróis dos filmes dos eisestein 
Quantos Einstein vão pra vala por causa de um par de Nike 
Por causa de vadia, e aqui os Kamikaze busca de bike 
Junta cinco, dez, quinze, vinte, vai 
e é pouca idéia.. qui qui qui qui qui qui o carai 
Se calar consentiu, se gaguejar se entregou 
Se cê falar cê mentiu, se num mentiu tentou 
A certeza de quem não viu foi o que te dilatou 
culpado inocente tiu, vai reclamar com o Senhor 
Pouco importa agora o que cê sinta 
Nós até faz bastante plano pra quem raramente chega aos trinta 
Os preto é os únicos que morre sem causa irmão 
raramente é por etnia ou por religião 
As treta territorial se restringe as biqueira 
Mas eu te pergunto: quem que tornou as ruas trincheira? 
nem pisa nela te alistou e pôs na guerra dos outros 
te fez jurar sem crer, acreditar sem ter 
A TV deixou os muleque burro igual a Magda 
Rebelde memo mata americano em Bagdá 
ta aí na rua, sem enxergar a saída 
Leva as parada que é sua, se cê parar nos farol da Avenida 
Fazendo de tanque os passat filmado 
Que planta o medo quando passa com 3 dedo de vidro abaixado 
Organização faz o tubarão temer as tilápia 
e foda-se o que o mapa diz, meu bairro é minha pátria.


EMICIDA

REDE BOBO


PREPARE-SE

Dia desses chegou às minhas mãos um DVD muito interessante. Sob o título geral de "PREPARE-SE", é uma série de vídeos que falam sobre as mais diversas teorias conspiratórias e principalmente sobre os tais "Iluminati". Pelo linguajar do apresentador, acredito que o vídeo tenha origem em alguma igreja evangélica. O apresentador, cujo nome não aparece em nenhum dos vídeos, me parece ser um pastor e fala com muita eloquência. Vai mostrando uma sequência de teorias sobre os mais diversos assuntos, abordando desde eventos históricos, como o 11 de setembro até fenômenos da cultura pop, como Matrix. Suas explicações são permeadas de vídeos tirados da internet, reportagens e algumas imagens bem chocantes. A idéia defendida é de que existe uma conspiração mundial e que todos os fatos apresentados estão interligados, tendo como articuladores uma espécie de irmandade chamada "Iluminati", constituída pelas treze famílias mais poderosas do mundo e que surgiu ainda durante o período babilônico, indo para o Egito, daí para a Grécia, Roma, Inglaterra e por fim, Estados Unidos, país que seria, atualmente, o coração da organização que tem em seus quadros presidentes, artistas, banqueiros, políticos e até o próprio Hitler. Essa organização teria um plano de dominação mundial e contaria com apoio do próprio cramulhão, o anhangá tinhoso, o cânho do pé preto, através de um pacto e rituais com sacrifício de crianças.
Sinceramente, essa parte de pacto com o diabo não me convence, pois se fossemos botar na conta do coisa ruim todos os males da humanidade chegariamos à conclusão de que ele é mais poderoso do que o próprio Deus ou que Deus, sendo onipotente, seria então conivente com o mal. Para mim isso é bullshit, já que o diabo somos nós memos. Deus deu o livre arbítrio, daí o ser humano fez, e faz, as suas lambanças.
Mas, voltando ao DVD, alguns dos vídeos apresentam evidências bem interessantes de que algo estranho está acontecendo. O suficiente para me deixar bastante intrigado.
Um dos que mais me chamaram a atenção foi sobre a agência federal de controle interno, a tal FEMA, criada no governo Bush para vigiar os próprios cidadãos americanos e que já construiu mais de trezentos campos de concentração, nos moldes dos construídos pelos nazistas, com fornos e tudo, e mantem vários depósitos de caixões de plásticos, onde cabem até três pessoas adultas. Segundo informações, eles têm em estoque mais de cinco milhões desses caixões. Pra que será? Genocídio? Eliminação em massa das "raças inferiores"? Pesquisei na internet e vi que é realmente verdade, os campos de concentração, os caixões, além de trens-presídios e ônibus para deslocamento de populações inteiras estão espalhados pelos EUA, para quem quiser ver. Assustador, no mínimo.
Assisti o DVD todo. Não é cansativo e tem momentos até divertidos, como quando falam mal de Rede Globo (também, segundo eles, pertencente aos Iluminati) ou quando parodiam o filme Matrix.
Descobri na internet um link para alguns dos vídeos no you tube (http://www.youtube.com/user/verdadeoculta), caso alguém queira uma cópia do DVD, faça contato comigo.
Enquanto isso vou ficar aqui me preparando para o Armagedom.

Até lá.

CAPITALISMO E ESCRAVIDÃO


Interessante a forma como as pessoas expressam sua opinião sobre os textos aqui do boteco. Elas vêm falar comigo, em vez de postar seus comentários no blog. Será timidez? Eu sempre digo: “Coloca isso lá nos comentários, pra gente iniciar um debate...”. Alguns escrevem, e me deixam muito feliz. Deixo claro, aliás, que não quero receber só elogios aqui. Caso tenham opinião, seja ela qual for, por favor, expressem-na. A casa é de vocês. Um cara que fez isso muito bem é o Fábio, do “Palavra Náufraga”. Ele achou que o comentário ficaria muito grande aqui e fez um post no blog dele abordando o mesmo tema do meu. Fiquei honrado. Valeu Fabão!

Mas o que me motivou a escrever sobre os comentários foi a opinião de algumas pessoas sobre o último post “Futuro Primitivo”, a respeito do livro de John Zerzan. Vieram me dizer que a teoria exposta no livro (sem ter lido o mesmo) é esdrúxula e absurda: “Como poderíamos viver como homens da caverna?” Tudo bem... o papai explica. John Zerzan não é para ser levado ao pé da letra (ou é?) quando ele fala sobre a sociedade que a humanidade criou nesse planeta. Ele diz, basicamente, que podemos viver sem as coisas ruins que a sociedade criou, sem necessariamente abrirmos mão das coisas boas. Isto seria, abolir a exploração da natureza e do homem pelo homem. Alguém aí pensou em capitalismo? Pois acertou! O capitalismo é um sistema economico baseado na exploração. Vamos dar uma olhada na história do capitalismo, sem considerar o saque, a escravidão e o genocídio imposto aos povos autoctones nos primeiros anos da colonização das Américas, África e Ásia pelos demais países europeus, vamos nos focar na Inglaterra e observemos como o capitalismo tem sua origem diretamente ligada, entre outros crimes, ao tráfico de escravos. Abaixo segue um trecho do livro “As Veias Abertas da América Latina” do escritor uruguaio Eduardo Galeano, publicado no início da década de 70. Leitura recomendadíssima para qualquer um que queira entender a conjuntura política e econômica mundial.

“Por volta de 1562, o capitão John Hawkins tinha arrancado 3OO negros de contrabando da Guiné portuguesa. A rainha Elizabete ficou furiosa: "Esta aventura - sentenciou - clama vingança ao céu." Porém, Hawkins contou-lhe que no Caribe havia obtido em troca dos escravos, um carregamento de açúcar e peles, pérolas e gengibre. A rainha perdoou o pirata e converteu-se em sócia comercial dele. Um século depois, o duque de York marcava a ferro quente suas iniciais, DY, sobre a nádega esquerda ou o peito dos três mil negros que sua empresa conduzia anualmente para "as ilhas do açúcar". A Real Companhia Africana, entre cujos acionistas figurava o rei Carlos II, dava 3OO% de dividendos, apesar de que, dos 70 mil escravos que embarcaram entre 168O e 1688, só 46 mil sobrevivessem à travessia. Durante a viagem, numerosos africanos morriam vítimas de epidemias ou desnutrição, ou se suicidavam negando-se a comer, enforcando-se com suas correntes ou lançando-se pela borda ao oceano eriçado por barbatanas de tubarões. Lenta porém firmemente, a Inglaterra ia quebrando a hegemonia holandesa no tráfico negreiro. A South Sea Company foi a principal usufrutuária do "direito de asiento" concedido aos ingleses pela Espanha, e nela estavam envolvidos os mais proeminentes personagens da política e das finanças britânicas: o negócio, brilhante como nenhum outro, enlouqueceu a bolsa de valores de Londres e deflagrou uma especulação legendária.

O transporte de escravos elevou Bristol, sede dos estaleiros, à categoria de segunda cidade da Inglaterra, e converteu Liverpool no maior porto do mundo. Partiam os navios com seus porões carregados de armas, tecidos e rum abençoados, quinquilharias e vidros de cores, que seriam o meio de pagamento em troca da mercadoria humana da África. Os ingleses impunham seu reinado sobre os mares. Em fins do século XVIII, África e o Caribe davam trabalho a 18O mil operários têxteis em Manchester; de Sheffield vinham os punhais e de Birmingham, 15O mil mosquetões por ano. Os caciques africanos recebiam as mercadorias da indústria britânica e entregavam os carregamentos de escravos aos capitães negreiros. Dispunham, assim, de novas armas e abundante aguardente para empreender as próximas caçadas nas aldeias. Também proporcionavam marfins, ceras e azeite de palmeira. Muitos dos escravos provinham da selva e nunca tinham visto o mar; confundiam os rugidos do oceano com os de alguns monstros submergidos que os esperavam para devorá-los ou, segundo o testemunho de um traficante da época, acreditavam, e de certo modo não se equivocavam, que "iam ser levados como carneiros ao matadouro, sendo sua carne muito apreciada pelos europeus." De muito pouco serviam os chicotes de sete pontas para conter o desespero suicida dos africanos.

Os "fardos" que sobreviviam à fome, às doenças e ao amontoamento da travessia, eram recebidos em farrapos, pura pele e ossos, na praça pública, depois de desfilarem pelas ruas coloniais ao som das gaitas. Os que chegavam ao Caribe demasiado exaustos podia-se engordá-los nos depósitos antes de exibi-los aos olhos dos compradores; os enfermos deixava-se morrer nos cais. Os escravos eram vendidos em troca de dinheiro em espécie ou promissórias de três anos de prazo. Os barcos zarpavam de regresso a Liverpool levando diversos produtos tropicais: em princípios do século XVIII, as três quartas partes do algodão fiado pela indústria têxtil inglesa provinham das Antilhas, embora logo Georgia e Louisiania se tornassem as principais fontes de abastecimento; em meados do século, havia 12O refinarias de açúcar na Inglaterra.

Um inglês podia viver, naquela época, com seis libras por ano; os mercadores de escravos de Liverpool somavam lucros anuais de mais de 1.1OO mil libras, contando exclusivamente o dinheiro obtido no Caribe e sem agregar os benefícios do comércio adicional. Dez grandes empresas controlavam um novo sistema de molhes; cada vez se construíam mais navios, maiores e de maior calado. Os ourives ofereciam "brincos e colares de prata para negros e cachorros", as damas elegantes mostravam-se em público acompanhadas de um macaco vestido de colete bordado e um menino escravo, com turbante e bombachas de seda. Um economista escreveu por esta época: o comércio de escravos é "o princípio básico e fundamental de todo o resto; como o principal impulso da máquina que põe em movimento cada roda da engrenagem (isto é, o capitalismo nascente [n. do Ganso])". Os bancos se propagam em Liverpool e Manchester, Bristol, Londres e Glasgow; a empresa de seguros Lloyd’s acumulava lucros segurando escravos, navios e plantações. Desde muito cedo, os anúncios da London Gazette indicavam que os escravos fugidos deviam ser devolvidos ao Lloyd:"s. Com fundos do comércio negro construiu-se a grande ferrovia inglesa do oeste e nasceram indústrias, como as fábricas de louças de Gales. O capital acumulado no comércio triangular - manufaturas, escravos, açúcar – tornou possível a invenção da máquina a vapor: James Watt foi subvencionado por mercadores que haviam feito assim suas fortunas. Eric Williams afirma-o em sua documentada obra sobre o tema.

Em princípios do século XIX, a Grã Bretanha converteu-se na principal impulsionadora da campanha antiescravista. A indústria inglesa já necessitava de mercados internacionais com maior poder aquisitivo, o que obrigava a propagação do regime de salários. Ademais, ao estabelecer-se o salário nas colônias inglesas do Caribe, o açúcar brasileiro, produzido com mão-de-obra escrava, recuperava vantagens por seus baixos custos comparativos. A Armada britânica lançava-se ao assalto dos navios negreiros, mas o tráfico continuava crescendo para abastecer Cuba e Brasil. Antes que os botes ingleses chegassem aos navios piratas, os escravos eram lançados ao mar: dentro só se encontrava o odor, as caldeiras quentes e um capitão que morria de rir. A repressão ao tráfico elevou os preços e aumentou os lucros enormemente. Em meados do século, os traficantes entregavam um fuzil velho por cada escravo vigoroso arrancado da África, para logo vendê-lo por mais de 6OO dólares em Cuba.”

Triste, não? Obeserva-se bem que o capitalismo, desde seu início, já mostrou a que veio: o êxito de alguns depende sempre da tragédia de outros. É assim até hoje. E dessa forma foi se definindo quem seriam os países desenvolvidos e quem seriam os subdesenvolvidos de hoje em dia. No capitalismo, o negócio sempre é feito entre exploradores e explorados (outra grande fonte de informações sobre o assunto é a série “Capetalismo” de um dos meus blogs preferidos, o Nerds Somos Nozes).
O que John Zerzan questiona nos seus escritos é se não poderíamos viver sem isso. Sem essa necessidade de agirmos sempre como predadores e presas. Um tipo de reflexão fundamental principalmente agora, em que algumas pessoas começam a atingir um nível de consciência mais elevado, o que me deixa com esperanças de um futuro diferente.
É isso aí. Acho que respondi ao que me questionaram. Peço que novos questinamentos sejam postados nos comentários, afinal, blog é pra isso, para interagir. O que eu fazia antes, nas mesas dos botecos discutindo política, música, história, religião, futebol e o escambau, agora faço aqui, no meu boteco virtual, com a vantagem de não ter que ouvir sermão da D. Maria quando chegar em casa...

Abraço a todos.

EVOLUIR É A NOSSA INSUBORDINAÇÃO


As pessoas não evoluem todas ao mesmo tempo e nas mesmas condições. Isso é fato. Começei a refletir com maior profundidade sobre essa máxima ontem à noite, ao voltar para casa de ônibus, quando vi, embaixo do ponto desativado em frente à entrada principal da CSN, um grupo de pessoas, cerca de cinco homens e três mulheres, uma delas com um bebê com alguns meses de vida. Eram jovens de cerca de 30 anos e a mulher que segurava o bebê era a mais jovem de todas, tinha no máximo 20 anos. As mulheres estavam sentadas em um dos bancos, com o carrinho do bebê parado em frente. Os homens conversavam animadamente bem próximo e dividiam uma garrafa de cachaça. Estavam todos sujos, alguns maltrapilhos. A jovem vestia bermuda e camiseta e trazia a criança enrolada em uma manta amarela. Era uma noite fria, uma garôa bem fina caia, ininterrupta.
Olhei aquela gente, observei bem a criança e lembrei do meu filho, que àquela hora deveria estar aconchegado em sua cama, bem alimentado, assistindo TV a cabo e pensando na brincadeiras que permearam o seu dia. Olhei de novo para o grupo e achei que eles pareciam não uma família, mas um bando. Um coletivo de animais perdidos em ambiente hostil, lutando pela sobrevivência. Estavam eles, em plenos 2010 anos após o nascimento de Cristo, nas mesmas condições que a humanidade estava a 10 mil anos atrás: Reunidos em bando, tentando conseguir alimento, protegendo-se mutuamente e reproduzindo-se.
Como sempre faço diante dessa cenas, comecei a me questionar: O que fazer? Como podemos mudar a situação dessas pessoas?
É bom lembrar que os moradores de rua não são o problema, mas apenas um sintoma de um mal muito maior. Nossa sociedade tem uma doença que não permite que todos tenham acesso ao mesmo grau de evolução que alguns já atingiram. Evolução material, à qual me refiro, mas que na maior parte das vezes vem atrelada à evolução espiritual. Se é dada oportunidade a pessoa de evoluir no seu grau de humanidade, possivelmente ela evoluirá materialmente também. Não significa adquirir bens inúteis, mas poder ter o mínimo para uma existência digna.
Há mais de uma década que trabalho com Educação e aprendi a compreender e respeitar o trabalho de pessoas que são educadores de verdade. Econtrei muitos nessa minha jornada. Profissionais que, a exemplo de figuras como Paulo Freire e Darcy Ribeiro, são educadores por vocação e acreditam na Educação como forma de equalizar as desigualdades sociais, marca indelével das sociedades humanas. Entendamos então o ato de educar como o de tornar possível a evolução do outro. Já não se compreende o processo de ensinar como o de simplesmente transferir informação. Temos cérebros, não hard disks. Todos são capazes de evoluir e cada qual é o principal agente do próprio desenvolvimento. Ao educador cabe apenas instigar, fazer vir à tona aquilo que já está dentro de cada um, ou seja, o poder da reflexão.
Como o próprio Cristo disse, “Vois sois todos deuses”, lembrando o Salmo de Davi (82:6) “Eu disse: sois deuses, sois todos filhos do altíssimo”, como partículas divinas, somos co-criadores e temos o poder de trabalhar a obra de Deus e desenvolvê-la, pois foi permitido ao homem compreender a criação melhor de que qualquer outro ser.
Educar é, portanto, uma missão sagrada. Levar ao homem a luz da verdadeira compreensão é contribuir para a evolução de um semelhante, unica forma de trabalharmos pela nossa própria evolução.
Quiçá um dia não teremos mais imagens de bandos de seres humanos, como animais irracionais, perdidos pelas ruas das cidades, mas todos vivendo como uma única família, entre irmãos, solidarizando-se e respeitando-se, preocupados com a evolução mútua que pode levar a humanidade a um novo patamar. Peço a Deus que zele pelo futuro daquela criança, tão recém chegada e já submetida às agruras da existência nessa sociedade injusta. Que ela encontre carinho e solidariedade e que possa se desenvolver e evoluir além da situação a qual se encontra atualmente.

PIOR QUE WATERGATE


Estou lendo nesse momento um livro surpreendente. "Pior que Watergate", escrito por John Dean, um ex-funcionário da presidência no período Nixon que assistiu de muito perto o escândalo ao qual se refere o título, trata das maquinações da dupla de fanfarrões Bush/Cheney com seu "plano de dominação mundial" à lá Dr. Evil ou Pink & Cérebro.

É incrível o poder que o vice (ou co-presidente, como diz o livro) Dick Cheney tem no que se refere à política externa e assuntos estratégicos dos Estados Unidos. E não é de agora... a coisa vem desde a época do Reagan... Eu diria, sem medo de equívoco que Cheney é hoje o homem mais poderoso do mundo. Quanto a Bush... é apenas um patético caipira que nunca teria competência para governar seu país. É apenas um testa de ferro de um grupo de ulta-conservadores que pretende se perpetuar no poder para construir o que eles chamam de Império Norte Americano (já viram essa história? Qualquer semelhança com o III Reich não é mera coincidência). Eles têm até um relatório, publicado em setembro de 2000 que define bem suas idéias chamado Rebuilding America's defenses: strategy, forces and resources for a new century (Reconstruindo as defesas americanas: estratégia, força e recursos para um novo século). Uma espécie de cartilha do domínio do mundo pelos E.U.
O pior é que parece que se o tal McCain ganhar, esse tipo de escroque vai continuar dando as cartas na Casa Branca... E por falar em McCain, esse também já sofreu na mão da dupla Bush/Cheney... segundo o livro, nas eleições primárias em fevereiro de 2000, em que Bush disputava a vaga de candidato do partido republicano com o McCain, os partidários do primeiro lançaram uma bateria de boatos falsos para desmoralizar o segundo, tipo espalhar que McCain era gay, depois, que ele era um garanhão que havia traído a primeira mulher, depois veio um panfleto dizendo que a segunda mulher dele, Cindy era viciada em drogas (a mulher era viciada em analgésicos), e quando nada disso funcionou, espalharam que McCain era louco por ter ficado muito tempo como prisioneiro de guerra em Hanói... mas a cartada final veio quando eles fizeram circular entre os filhos e filhas da Confederação, nas áreas rurais, uma fotografia da filha adotiva de McCain, uma linda garota de pele escura nascida em Bangladesh. Graças a Ku Klux Klan, Bush bateu seu único rival republicano, que agora, oito anos depois, está de braços dados com ele na corrida até a presidência. É de embrulhar o estômago de um abutre...
Prá vocês verem como a eleição nos E.U. é tão importante para nós quanto as daqui... no Brasil só vamos escolher aqueles que ficarão nos roubando e armando esquemas por mais 4 anos (com raras e gratas exceções, diga-se de passagem) enquanto por lá, o povo pode escolher aqueles que selarão de vez o destino desse planeta, trasformando o mundo numa barbárie ou mandando essa joça de vez pelos ares... é de gelar o sangue!
Para quem se interessar, é possível encontrar o livro em sebos por um preço bem legal (é de 2004). O meu, comprei por R$ 5,00 no Ed. Redondo. Mas para quem não está a fim de procurar, achei no mercado livre por R$ 19,00. Segue o link: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-74771671-pior-que-watergate-politica-_JM
Abraço e até nossa próxima cervejinha com direito a bate papo...

A VELHA SABEDORIA...


Esse texto não é meu. Recebi por e-mail... mas gostaria de compartilhar com meus amigos de boteco.

Excelente aula de contabilidade e de memória histórica!!
Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de descendência indígena, defendendo o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Européia.

Eis o discurso:

"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" só há 500 anos. O irmão europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o pagamento - ao meu país, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento.

Eu também posso reclamar pagamento de juros.

Consta no "Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão. Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas.

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução,
mas indenização por perdas e danos. Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, da poligamia, e de outras conquistas da civilização.

Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?

Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.

Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300, isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.

Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?

Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.

Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica..."

Mercado Livre

"Quando o processo histórico se interrompe... quando a necessidade se associa ao horror e a liberdade ao tédio, a hora é boa para abrir um bar."
W. H. Auden