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TODO BRASILEIRO PRECISA ESCUTAR TOM ZÉ


Tom Zé é um grande artista. E no conceito verdadeiro da palavra: artista é aquele que percebe intensamente o mundo e se expressa na mesma proporção.Tom Zé traduz para nós, de forma anárquica e irreverente, essa realidade que nos chega adormecida e falsificada através de telas e lentes. Tom Zé é aquela sacudida seguida do grito: "ACORDA!"

Esse fim de semana ouvi dois discos do Tom Zé: "Jogos de Armar" de 2003 e "Estudando o Pagode" de 2005. Fazia tempo que eu não ouvia esses discos e, como das outras vezes, eles me trouxeram inúmeras reflexões, ligadas ou não às suas temáticas específicas (sim, porque os discos do Tom Zé têm sempre um tema que permeia toda a obra). Isso me fez lembrar que o Tom Zé, além de entreter pela qualidade da música, ainda cumpre a principal função de um artista: fazer pensar.

Interessante como a mídia se volta sempre para um tipo de música que nunca privilegia a reflexão. Povo que pensa é um perigo para quem domina. Tom Zé vem na contramão desse ideia  fazendo pensar e, mais importante, mostrando um Brasil que está cada vez mais apagado da mídia: O Brasil que canta, que dança, que ama e que pensa. Pensa tanto que faz até autocrítica.

Então, para salvar a cultura brasileira, ouçamos Tom Zé. Vamos levar Tom Zé para as escolas. Os Jovens precisam conhecer esse artista. Meu filho ouve Tom Zé, e gosta. Não me venham com esse papo de que a juventude não entende esse tipo de música. Nem todo jovem é burro.

Essa semana vi uma notícia que me aborreceu: um retardado atirou um copo de cerveja no Tom Zé no show do Circo Voador. É o Brasil dos ignaros, a massa de manobra lutando contra o país que pensa. Mais um alerta para que levemos a sério nossa cruzada contra a ignorância. Todo brasileiro precisa escutar Tom Zé.

Eis os links para baixar alguns discos do homem:

http://www.tomze.com.br/
http://thepiratebay.sx/torrent/4094828/Tom_ZA_

DEUS NOS LIVRE DE UM BRASIL EVANGÉLICO!


Deus nos livre de um Brasil evangélico

Começo este texto com uns 15 anos de atraso. Eu explico. Nos tempos em que outdoors eram permitidos em São Paulo, alguém pagou uma fortuna para espalhar vários deles em avenidas da cidade com a mensagem: “São Paulo é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso”.
Rumino o recado desde então. Represei qualquer reação à bobagem estampada publicamente; hoje, por algum motivo, abriu-se uma fresta em uma comporta de minha alma. Preciso escrever sobre o meu pavor de ver o Brasil tornar-se evangélico. Antes explico: eu gostaria de ver o Brasil permeado com a elegância, solidariedade, inclusão e compaixão do Evangelho. Mas a mensagem subliminar dos outdoors, para quem conhece a cultura do movimento evangélico, é outra. Os evangélicos sonham com o dia em que cidade, estado e país se convertam em massa, e a terra dos tupiniquins tenha a cara de suas denominações.
Afirmo que o sonho é que haja um “avivamento” religioso que leve uma enxurrada de gente para os templos evangélicos. Não reside entre os teólogos do movimento qualquer  desejo de que valores cristãos influenciem a cultura brasileira. Eles anelam tão somente que o subgrupo, descendente distante dos protestantes, prevaleça. A eles não interessa que haja um veloz crescimento numérico entre católicos romanos; que ortodoxos sírios, russos, armênios ou gregos se alastrem. Para “ser do Senhor Jesus”, o Brasil tem que virar “crente”, com a cara dos evangélicos. (acabo de bater três vezes na madeira).
Avanços numéricos de evangélicos em algumas áreas já dão uma boa ideia de como seria desastroso se acontecesse a tal levedação radical do Brasil.
Imagino uma Genebra calvinista brasileira e tremo. Sei de grupos que anseiam por um puritanismo não inglês, mas moreno. Caso acontecesse, como os novos puritanos tratariam Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Maria Gadu? Respondo: seriam execrados como diabólicos, devassos e pervertedores dos bons costumes. Não gosto nem de pensar no destino de poesias sensuais como “Carinhoso” do Pixinguinha ou “Tatuagem” do Chico. Um Brasil evangélico empobreceria, já que sobrariam as péssimas poesias do cancioneiro gospel. As rádios tocariam sem parar músicas horrorosas como  “Vou buscar o que é meu”, “Rompendo em Fé”.
Uma história minimamente parecida com a dos puritanos calvinistas provocaria, estou certo, um cerco aos boêmios. Novos Torquemadas seriam implacáveis e perderíamos todo o acervo do Vinicius de Moraes. Quem, entre puritanos, carimbaria a poesia de um ateu como Carlos Drummond de Andrade?
Como ficaria a Universidade em um Brasil dominado por evangélicos? Os chanceleres denominacionais cresceriam, como verdadeiros fiscais, para que se desqualificasse Charles Darwin como “alucinado inimigo da fé”. Facilmente se restabeleceria o criacionismo como disciplina obrigatória em faculdades de medicina, biologia, veterinária. Nietzsche jazeria na categoria dos hereges loucos. Derridá nunca teria uma tradução para o português. O que dizer de rebeldes como Mozart, Gauguin, Michelangelo, Picasso? No máximo, seriam pesquisados como desajustados. Ganhariam rótulos para serem desmerecidos a priori como loucos, pederastas, hereges.
Um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá. As churrascarias não seriam barulhentas. A alegria do futebol morreria; alguma lei proibiria ir ao estádio ou ligar televisão no domingo. E o racha, a famosa pelada de várzea, aconteceria quando? Haveria multa ou surra para palavrão?
Um Brasil evangélico significaria que o fisiologismo político prevaleceu. Basta uma espiada no histórico de Suas Excelências da bancada evangélica nas Câmaras, Assembleias e Gabinetes para se apavorar. Se, ainda minoria, a bancada evangélica na Câmara Federal é campeã em faltas e em processos no STF, imagina dominando o parlamento.
Um Brasil evangélico significaria o triunfo do “american way of life”, já que muito do que se entende por espiritualidade e moralidade não passa de cópia malfeita da cultura estadunidense. Obcecados em implementar os “valores da família”, tão caros ao partido republicano dos Estados Unidos, recrudesceria a teologia de causa-e-efeito, cármica, do “quem planta, colhe”. Vingaria o sucesso como aferidor da bênção de Deus.
Um Brasil evangélico acirraria o preconceito contra a Igreja Católica. Uma nova elite religiosa (os ungidos) destilaria maldição contra os “inimigos da fé”, os “idólatras”, os “hereges”, com mais perversidade do que aiatolás iranianos. Ficaria mais fácil falar de inferno e mandar para lá todo mundo que rejeitasse algumas lógicas tidas como ortodoxas.
Cada vez que um evangélico critica a Rede Globo eu me flagro perguntando: Como seria uma emissora liderada por evangélicos? Adianto: insípida, brega, chata, horrorosa, irritante.
Prefiro, sem pestanejar, os textos do Gabriel Garcia Márquez, do Mia Couto, do Victor Hugo, do Fernando Moraes, do João Ubaldo Ribeiro, do Jorge Amado, a qualquer livro da série “Deixados para Trás” do fundamentalista de direita, Tim LaHaye. O demagogo Max Lucado (que abençoou a decisão de Bush bombardear o Iraque) não calça o chinelo de Mário Benedetti.
Toda a teocracia um dia se tornará totalitária. Toda a tentativa de homogeneizar a cultura precisa se valer de obscurantismo. Todo o esforço de higienizar os costumes é moralista e hipócrita.
O projeto cristão visa preparar para a vida. Jesus jamais pretendeu anular os costumes de povos não-judeus. Daí ele celebrar a fé em um centurião, adorador no paganismo romano, como especial e digna de elogio. Cristo afirmou que, entre criteriosos fariseus, ninguém tinha uma espiritualidade tão única e bela como daquele soldado que se preocupou com o escravo.
Levar a Boa Notícia – Evangelho – não significa exportar cultura, criar dialeto ou forçar critérios morais. Na evangelização, fica implícito que todos podem continuar a costurar, compor, escrever, brincar, encenar, como sempre fizeram. O evangelho convoca à pratica da justiça; cria meios de solidariedade; procura gestar homens e mulheres distintos; imprime em pessoas o mesmo espírito que moveu Jesus a praticar o bem.
Há estudos sociológicos que apontam estagnação quando o movimento evangélico chegar a 35% da população brasileira. Esperemos que sim. Caso alcançasse a maioria, com os anseios totalitários e teocráticos que já demonstra, o movimento desenvolveria mecanismos para coibir a liberdade. Acontece que Deus não rivaliza a liberdade humana, mas é seu maior incentivador.
Portanto, Deus nos livre de um Brasil evangélico.
Soli Deo Gloria
Publicado orginalmente em http://www.ricardogondim.com.br

E CRISTO CHOROU SOBRE OS PALÁCIOS DO VATICANO



Andando pelas comunidades eclesiais de base constituídas  de ribeirinhos da Amazônia, nos limites com o Acre, lá onde viceja uma Igreja pobre e libertadora, ouvi de um líder comunitário, bom conhecedor da leitura popular da Bíblia, a seguinte visão que ele pretende ter sido verdadeira.

Estava um dia a caminho do centro comunitário, quando se viu transportado, não sabe se em sonho ou em espírito, aos jardins do Vaticano. Viu de repente um Papa, encurvado pela idade, todo de branco, cercado pelos seus principais cardeais conselheiros. Faziam o costumeiro passeio após o almoço, andando pelos jardins floridos do Vaticano.         

De repente, o Papa vislumbrou, a uns poucos metros de distância, a figura do Mestre. Este sempre aparece disfarçado seja como jardineiro para Maria Madalena seja como andarilho para os jovens de Emaús. Mas o sucessor de Pedro, afastando-se do grupo de cardeais, com fino tato,  identificou logo o Ressuscitado. Ajoelhou-se e quis proferir a profissão de fé que fez Pedro ser pedra, pois sobre esta fé  se constrói sempre a Igreja :”Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”.

Nisso foi atalhado por Jesus. Olhando o palácio do Vaticano ao longe e o perfil dos prédios da Santa Sé, disse Jesus com voz entristecida: ”Não te bendigo, sucessor de Pedro,  o pescador, porque tudo isso não foi inspirado por meu Pai que está nos céus mas pela carne e pelo sangue. Digo-te  que não foi sobre estas pedras que edifiquei minha Igreja, porque temia que então as portas do inferno poderiam prevalecer contra ela”.

O Papa ficou perplexo e olhou o rosto do Senhor. Viu que caiam-lhe furtivamente duas lágrimas dos olhos. Lembrou-se de Pedro que o havia traído duas vezes e que, arrependido, chorara amargamente. Quis proferir algumas palavras, mas estas lhe morreram na garganta. Começou também ele,  o Papa, a chorar. Nisso o Senhor desapareceu.

Os Cardeais ouviram as palavras do Mestre e se apressaram para amparar o Papa. Este logo lhes disse com grande severidade: ”Irmãos, o Senhor me abriu os olhos. Por isso, as coisas não podem ficar como estão. Temos que mudar e mudar em muitas coisas. Ajudem-me a realizar a vontade do Senhor”.

O Cardeal camerlengo, o mais ancião de todos, afirmou: ”Santidade, iremos, sim, fazer alguma coisa conforme a vontade do Mestre  e segundo a tradição dos Apóstolos. Amanhã reuniremos todo o colégio cardinalício presente em Roma e, invocando o Espírito Santo, decidiremos como vamos proceder, consoante as palavras do Senhor”.

Todos se afastaram pesarosos, vindo-lhes à memória aquelas cenas do Novo Testamento que se referem a Jesus chorando sobre a cidade santa, que matava seus profetas e apedrejava os enviados de Deus e que se negava a reunir seus filhos e filhas como a galinha que recolhe os pintinhos debaixo de suas asas.

Um e outro entretanto, comentavam: ”irmãos, sejamos realistas e prudentes, pois nos toca viver neste mundo. Precisamos de edifícios para a Cúria e o Banco do Vaticano para recolher os óbulos dos fiéis e cobrir os nossos gastos. Podemos negar essas necessidades? Mas vejamos o que o Espírito nos inspirar”.

No dia seguinte, quando os cardeais se dirigiam à sala do consistório, graves e cabisbaixos, o secretário do Papa veio correndo e lhes comunicou quase aos gritos: ”O Papa morreu, o Papa morreu”.

Nove dias após, celebraram-se os funerais com toda a pompa e circunstância como manda a tradição.  Vindos de todas as partes do mundo, os cardeais desfilavam com suas vestes vermelhas e luzidias, quais príncipes de tempos antigos. Depois sepultaram o Papa.

E ninguém mais se lembrou das palavras que o Mestre havia dito e que eles escutaram. E tudo continuou como antes nos palácios do Vaticano.

Post Scriptum: o Espírito Santo fala pelos sinais dos tempos. Um desses sinais são os escândalos ocorridos  que exigem reformas para resgatar a credibilidade da Igreja. Será que os cardeais no Conclave saberão ler esse sinal e dizer como no primeiro Concílio em Jerusalém: ”Pareceu bem a nós e ao Espírito Santo tomar tais e tais decisões”? Caso contrário, o Mestre continuará chorando sobre as pedras do Vaticano.

 Leonardo Boff, teólogo e escritor

RELIGIÃO E POLÍTICA


Hoje, ao voltar do trabalho, tive o desgosto de me deparar com uma placa na rua onde apareciam, lado a lado, um dos candidatos a prefeito aqui da minha cidade, o Zoinho, e o famoso líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago.


Pensei: Eis aí duas grandes invenções da humanidade que foram desvirtuadas, a política e a religião. As duas foram, e ainda são, usadas para manipular e ludibriar o povo. Elas existem desde que os primeiros Homo Sapiens começaram a formar comunidades. E desde àquela época são usadas para fins espúrios.

Muito se fala que não se discute política e religião. Digo mais, acho que elas deviam mesmo é ficar separadas. Os políticos em seus gabinetes, os religiosos em seus templos e ponto final. Nessa eleição algumas igrejas viraram verdadeiros currais eleitorais, com sacerdotes bradando aos quatro ventos que fulano-de-tal era o candidato "ungido" pelo espírito santo. Haja paciência.

Por falar em sacerdote, descobri que o nosso nobre Valdemiro, que eu pensava ser um pastor, não é nem bispo. Ele é apóstolo logo de uma vez. Está no segundo escalão da chefia celeste. Caraca! Esse cara não dá mole!

Só vejo um problema aí: nosso amigo acaba de tornar out of date a grande obra do mestre renascentista Leonardo da Vinci. A Santa Ceia agora está errada. Está faltando o Valdemiro lá, pô!

Poxa, Valdemiro! Se aliar a políticos a gente até aceita, mas mexer com o grande Da Vinci é muita treta. Agora vamos ter que arrumar um cara bom de photoshop para consertar o quadro. Eu, que nem sou fera no babado, deixo aí em cima a minha humilde tentativa.

Inté, caboclada!

PRIORIDADES



Paz não se pede, paz se conquista 
E não será com guerra pois guerra-santa não existe, não insista 
Guerra-santa, paz satânica? Acho que não 
Permita-me lembrar o que disse o avatar mais notado da história da nossa esfera: "não sobrará pedra sobre pedra" 
Pois se querem mesmo a paz, porque as armas continuam a ser fabricadas em massa em nossa era? 

Tudo nesse mundo é emprestado, não faz sentido algum então ficar apegado, agregado ao que não te leva mais além, não te deixa sossegado 
Pois se a liberdade hoje se parece com um cigarro ou com o carro mais potente do mercado 
Me desculpe, mas as bolas foram trocadas bem na sua frente 
E você nem se tocou: pagou, comprou, levou assim mesmo o seu atual presente: felicidade completa como uma boca sem dente, tão libertária quanto uma bola de ferro com corrente algemada aos seus pés. 
Eu digo: crescimento econômico não gerará paz na terra, já que a estatística do lucro não leva em conta a miséria. Também pudera: Miséria de alma gera miséria humana, nada mais, nada menos que o reflexo da nossa atmosfera interna. 
Supunhetemos, hipoteticamente, então, distribuição ecumênica de renda e informação, os primeiros passos de evolução nesse plano, além de iluminar com sapiência divina o parco conhecimento humano 
Pois nessa época de carro na frente dos bois; supérfluo na frente, necessidade depois
Nossa capacidade de enxergar a realidade vale mais do que a riqueza de mil cidades

Priorize as prioridades, amizade,
priorize as prioridades, cumpadi,
priorize as prioridades, camaradagem,
priorize o que fará diferença na sua passagem.

Somos atores que vestiram a carapuça e se confudiram com seus personagens; auto-sabotagem 
Esmagamos a nós mesmos com nossa auto-imagem 
A tal da ego-esclerose como diria o professor Hermógenes 
Mas veja bem, não tô aqui numa de inquisidor pois como se diz: "Hoje pavão, amanhã espanador" 
Nos encontramos no mesmo titanic 
Até o último minuto, você me pede que fique, eu digo que fico, 
Porém me confudir com um fanático religioso é o mesmo que confudir remédio pra micose com pó-de-mico 
Osmose é como classifico quase que de vez em sempre o comportamento humano: o que quase todos fazem é o certo, o resto é pura viagem. Ledo engano. 
Então é isso: "living la vida tosca"! No acordo, o chifrudo entra com a pemba, o mundo inteiro entra com a rosca
Pede a Deus que te livre das moscas, mas não pensa em nenhum momento em limpar realmente a sua casa;
Para esse tipo de atitude eu faço como Tim Maia, o mestre, fazia quando queria passar o lima nos seus shows na gringa: "Send the lima!" 

Pois nessa época de carro na frente dos bois, o que é necessário não pode ser deixado pra depois 
Nossa capacidade de enxergar a realidade será nosso passaporte de liberdade (off tha babylon)

Nosso maior inimigo somos nós mesmos.
Reféns de nossa própria ignorância (ignorância da própria). 
Orgulho, às vezes o que o espelho mostra é duro de ver
Admitir que o que tu critica é bem parecido com você.
Realidade que choca, mudança de comportamento tão lenta quanto uma tartaruga judoca 
Corpo sem alma é como um vinil que não toca.
Na real, a gente é como o sol, não nasce nem morre, só sai do campo de visão normal 
E como ele, energia eterna, irmão.
Transição de milênio, reta final 100%
Os dias passam na velocidade de um pavio de bomba aceso…

BNegão.

A ÁGORA CARIOCA


(Publicado originalmente no jornal O Globo, edição de 4/6/2012)

Vivemos tempos de uniformização dos costumes, fruto do tal de mundo globalizado. Em cada canto desse mundaréu, ligado por redes transnacionais de telecomunicações, as pessoas assistem aos mesmos filmes, vestem as mesmas roupas, ouvem as mesmas músicas, falam o mesmo idioma, cultuam os mesmos ídolos e se comunicam em, no máximo, cento e quarenta toques virtuais. Nessa espécie de culto profano, em que a vida cotidiana é regida pelos rituais em louvor ao mercado que não é o de Madureira, o bicho pega e as ideias morrem, como outro dia morreu de morte matada o acento em ideia, sem choro nem vela e sem a dignidade de um samba do Noel.

Eu, que trabalho com adolescentes e adultos jovens, percebo que as crenças e projeções de futuro da rapaziada foram substituídas pelo pânico cotidiano - do assalto e das doenças, no âmbito pessoal, às catástrofes ambientais, na esfera coletiva. Cria-se uma lógica perversa: Como posso morrer de bala perdida, pegar gripe suína ou sucumbir ao aquecimento global, preciso viver intensamente o dia de hoje.

Ocorre que essa valorização extremada do tempo presente é acompanhada pela morte das utopias coletivas de projeção do futuro. Não há mais futuro a ser planejado. Somos guiados pelos ritos do mercado e abandonamos o mundo do pensamento, onde se projetam perspectivas e são moldadas as diferenças. Restam hoje, nesse desalento, duas tristes utopias individuais, em meio ao fracasso dos sonhos coletivos - a de que seremos capazes de consumir o produto tal, cheio de salamaleques, e a de que poderemos ter o corpo perfeito.

Transformam-se, nesse tempos depressivos, os shoppings e as academias de ginástica nos espaços de exercício dessas utopias tortas, onde podemos comprar produtos e moldar o corpo aos padrões da cultura contemporânea - o corpo-máquina dos atletas ou o corpo esquálido das modelos. É a procura da felicidade que não tem, como na esquecida e sábia canção natalina. E tome de caixinhas de Prozac no sapatinho na janela.

É aí que localizo, na minha cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, o espaço de resistência a esses padrões uniformes do mundo global: O botequim. Ele, o velho boteco, o pé-sujo, é a ágora carioca. O botequim é o país onde não há grifes, não há o corpo-máquina, o corpo em si mesmo, a vitrine, o mercado pairando como um deus a exigir que se cumpram seus rituais.

O boteco é a casa do mau gosto, do disforme, do arroto, da barriga indecente, da grosseria, do afeto, da gentileza, da proximidade, do debate, da exposição das fraquezas, da dor de corno, da festa do novo amor, da comemoração do gol, do exercício, enfim, de uma forma de cidadania muito peculiar. É a República de fato dos homens comuns.

É nessa perspectiva que vejo a luta pela preservação da cultura do boteco como algo com uma dimensão muito mais ampla do que o simples exercício de combate aos bares de grife que, como praga, pululam pela cidade e se espalham como metástase urbana.

A luta pelo boteco é a possibilidade de manter viva a crença na praça popular, espaço de geração de ideias e utopias - fundadas na sabedoria dos que têm pouco e precisam inventar a vida - que possam nos regenerar da falência de uma (des) humanidade que se limita a sonhar com o tênis novo e o corpo moldado, não como conquista da saúde, mas como simples egolatria incrementada com bombas e anabolizantes cavalares. O botequim é, portanto, o antishopping center, a recusa mais veemente ao corpo irreal dos atletas olímpicos ou ao corpo pau-de-virar tripa das anoréxicas, sintomas da doença comum desse mundo desencantado: metáforas da morte.

Ali, no velho boteco, entre garrafas vazias, chinelos de dedo, copos americanos, pratos feitos e petiscos gordurosos, no mar de barrigas indecentes, onde São Jorge é o protetor e mercado é só a feira da esquina, a vida resiste aos desmandos da uniformização e o Homem é restituído ao que há de mais valente e humano na sua trajetória - a capacidade de sonhar seus delírios, festejar e afogar suas dores nas ampolas geladas feito cu de foca. É onde a alma da cidade grita a resistência.

Esse combate, amigos, é muito mais significativo do que imaginam os arautos modernosos e seus programadores visuais. Botequim, afinal de contas, tem alma, é entidade, terreiro carioca, feito os trapiches e sobrados do cais do porto em noite de lua cheia.

Luiz Antonio Simas do Histórias Brasilieras

SOLDADO SEM BANDEIRA


Minha tropa vem do esgoto igual Morlock roto esfarrapado 
Os lock escroto em choque eu percebo os outros indo pro lado 
Se nós chega, sem glock, 9 nem precisa é só no psico 
a frieza do nosso olhar já planta medo nos bico 
Os vidro sobe, quem deve se apavora 
pensando: "E se eles quisessem se vingar da escravidão agora?" 
To pra morrer igual os 300 de Esparta 
vocês duvidaram até chegar o teco de orelha nas carta 
E agora é sério, nóiz num ta de brincadeira não 
você ainda acha que a guerra memo é no Afeganistão? 
Seus rato se camufla com a roupa da cor da babilônia 
E as quadrada cromada brilhando mais do que Antônia 
Nego fujão de alma vazia com banzo tudo confuso 
De capuz cabisbaixo no ultimo banco do buzo 
Reprimindo ódio, procurando razão pra viver 
Problema pra nós não é morrer, foda é num ter um porquê 
Distancia faz desconhecer, desconhecer trás o medo 
Medo faz agir, você sabe como termina o enredo.. 
Quantos se foram? Quantos ainda vão? 
Será que eles que se foram mais cedo, foram em vão? 
Isso é nação e cê na ação é encenação hienas são alienação me vê em ação 
sobrevivendo tipo estrategista 
Vendo o caixão de vários jão descendo em vão e assim se vão, descanse então 
Se esse é o prêmio da guerra racista 
Classista, que fragmenta, divide e enfraquece 
Dinheiro pros sem caráter, dor pra quem não merece 
Resta aparando as aresta, contá ca sorte 
Sabendo que: uma bala, sempre gera bem mais que uma morte 
E cada bala que alcança as mansão e os honda fit 
Ondo eu moro já varo mais de vinte madeirite 
Nóis ta no front e eu to na linha de fogo 
Fazer o que? num fiz as regra não tio eu só jogo o jogo


Ser favelado é ser soldado de bandeira nenhuma 
Desconfiar dos dois lados sem temer coisa alguma 
Nasceu no meio da guerra então se acostuma 
Vou até o fim, tiu, eu sou assim, tiu 
Ser favelado é ser soldado de bandeira nenhuma 
Desconfiar dos dois lados sem temer coisa alguma 
Nasceu no meio da guerra então se acostuma 
Vou até o fim, tiu, eu sou assim, tiu


Entre as pressão e as repressão 
alguns acata outros ataca (né) mas todos tão aí sem direção 
Ninguém mais é semelhante, todo mundo é concorrente 
Pra ta no topo pisa no crânio do próprio irmão 
Uma legião bebe da depressão que eu carrego 
Vejo vários Sun Tzu de chinelo com prego 
marcha pro precipício filho da cultura Frankenstein 
E marcha, igual os heróis dos filmes dos eisestein 
Quantos Einstein vão pra vala por causa de um par de Nike 
Por causa de vadia, e aqui os Kamikaze busca de bike 
Junta cinco, dez, quinze, vinte, vai 
e é pouca idéia.. qui qui qui qui qui qui o carai 
Se calar consentiu, se gaguejar se entregou 
Se cê falar cê mentiu, se num mentiu tentou 
A certeza de quem não viu foi o que te dilatou 
culpado inocente tiu, vai reclamar com o Senhor 
Pouco importa agora o que cê sinta 
Nós até faz bastante plano pra quem raramente chega aos trinta 
Os preto é os únicos que morre sem causa irmão 
raramente é por etnia ou por religião 
As treta territorial se restringe as biqueira 
Mas eu te pergunto: quem que tornou as ruas trincheira? 
nem pisa nela te alistou e pôs na guerra dos outros 
te fez jurar sem crer, acreditar sem ter 
A TV deixou os muleque burro igual a Magda 
Rebelde memo mata americano em Bagdá 
ta aí na rua, sem enxergar a saída 
Leva as parada que é sua, se cê parar nos farol da Avenida 
Fazendo de tanque os passat filmado 
Que planta o medo quando passa com 3 dedo de vidro abaixado 
Organização faz o tubarão temer as tilápia 
e foda-se o que o mapa diz, meu bairro é minha pátria.


EMICIDA

OORRA... - EMICIDA


Direto vejo pai brincando com filho no parque
Sinto inveja fico me perguntando tio, o que que a vida fez comigo?
Sorrio pelos pivetes, acho da hora
Olho pra baixo, tenho "mó" vontade de chorar, mas não consigo
Em segundos me vem vinte e poucos dia dos pais
Guarda o presente "fi", ele já não volta mais
Arrasta a cartolina com papel crepom amassa
Joga no lixo "porra, pior que esse aqui tava bom"


Hoje fico olhando na espreita
Vendo os moleques aí com pai mãe do lado e nem respeita
Deviam ser por um dia o que eu sou a vinte anos
Pra ver se vocês iam tá na de trocar os coroa pelos mano


Não sei se dá tristeza ou ódio
Não conseguir lembrar de você sóbrio
Não vi as vadia nem seus aliado
Com o doutor no corredor implorando pelo o que há de mais sagrado.


Eu já passei fome, já apanhei calado
Já me senti sozinho, já perdi uns aliado
Eu já dormi na rua, fui desacreditado
Já vi a morte perto, um cano engatilhado
Eu já corri dos homem, bati nos arrombado
Quase morri de frio, eu já roubei mercado
Já invejei quem tem pai, já perdi um bocado
Eu sofri por amor, eu já vi quase tudo, chegado!


E mesmo assim, tive que penar pra aprender
Que minha mãe não ia poder tá lá pra me ver crescer
Tinha que trabalhar pra ter o que comer .
Não ver seu filho aprender a falar, essa porra deve doer
Aguentar madame mandar e ter que acatar,
Ainda ouvindo o bairro sussurar, (vc sabe mãe solteira é o que?)


Ver seu tempo acabar, sua chance morrer
E no fim do mês ganhar, o que não dá nem pra sobreviver
Me ensinou a não desistir rapaz,
Miséria é foda, só que eu ainda sou bem mais
Maderite furado, cigarro, cheiro de pinga
Olha onde eu cresci, onde nem erva-daninha vinga
Como vc vai sonhar com pódio?
Se amor é luxo e com a grana que nois tem só dá pra ter ódio
Coisas da vida, historia repetida, algo assim
Com quatro anos eu ja via o mundo inteiro contra mim


Eu já passei fome, já apanhei calado
Já me senti sozinho, já perdi uns aliado
Eu já dormi na rua, fui desacreditado
Já vi a morte perto, um cano engatilhado
Eu já corri dos homem, bati nos arrombado
Quase morri de frio, eu já roubei mercado
Já invejei quem tem pai, já perdi um bocado
Eu sofri por amor, eu já vi quase tudo, chegado!


E o que eu sempre tive foi minha rima
O resto se foi tipo trampo, amigo, mina
Eu nunca quis viver disso, nunca sonhei com isso
Eu tava acostumado a rimar por hobby e trampar por uns trocado
E eu ia pro crime, irmão...
Se não fosse a confiança, do Pedro e do Felipão


Sem dinheiro, já dava pra ver o fim...
Mas, um me levou pra liga e o outro fez as bases pra mim
Na fé, me pôs no lugar onde vários quer nome
Foda-se todos, eu não quero mais é passar fome


Amo isso, você é contribuinte
Assim óh, escrever... como quem vai morrer no dia seguinte
Vagabunda, pirou nos flow... a cada ideia ouvia how
Quando vi, o radinho tocou... gente querendo show
E agora, eu vou fazer virar com os meus...
É real, o menino do morro virou deus


Eu quase me perdi nas ilusão
Fui salvo, por ter sabedoria e pé no chão
Chamei uns de irmão, quando nós era sócio
Pensei ter feito amigos, e tava fazendo negócios
Odeio vender algo que é tão meu
Mas se alguém vai ganhar grana com essa porra, então que seja eu


E os que não quer dinheiro, mano.. é porque nunca viu
A barriga roncar mais alto do que eu te amo
Eu vi minha mãe, me jogar dentro do guarda-roupa trancado
Era o lugar mais seguro, quando a chuva levou os telhado
E dizia, não se preocupa.. chuva é normal
Já vi o pior disso aqui, ver o bom hoje é natural


E o justo, então antes de criticar quem cê vê trampar
Cala boca e pensa, quantas história cê tem pra contar
Falar que ao dizer  ''a rua é nóis'' pago de dono da rua
Desculpa, eu vivo isso e a incerteza é sua
Se você não se sente dono dela, xiu não fode!
E antes de escrever um rap, me liga e pergunta se pode.

COMPROVADO: RACISMO É BURRICE!



Li ontem no Gizmodo (link) notícia sobre a responsabilização criminal de alguns idiotas que andaram escrevendo babaquices preconceituosas no Twitter. Como sempre dizia o sábio Forrest Gump, "idiota é quem faz idiotice" e a bola da vez e idiota-mor na questão é a estudante de direito (hã?!?!) Mayara Petruso, que teve o azar de ver sua singela mensagem de amor e carinho para os nordestinos (que ela escreve "nordestistos"em mais uma prova de sua sabedoria) nos trending topics.
Conforme escreveu o "Voz do Além" no Nerds Somos Nozes (link), escrever esse tipo de bobagem em uma rede social como o Twitter, que é uma página pública, é crime, conforme a lei 7.716, de 1989:
Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Pena: reclusão de um a três anos e multa.
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza:
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.
§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência:
I – o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;
II – a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas.
III – a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de computadores.

Por isso mesmo a OAB de Pernambuco entrou como uma representação criminal na Justiça de São Paulo contra a burrinha Mayara. E avisou que as ações envolverão também os outros patetas que foram na onda da aprendiz de neo-nazista.
A nossa ex-futura advogada será acusada de racismo e incitação pública de prática de crime - no caso homicídio - e na soma das penas pode pegar até cinco anos e meio de prisão. E, se Deus quiser, o juiz vai determinar que ela cumpra a pena em uma prisão feminina lá na Paraíba.
Mas a possível condenação dessa besta quadrada não é a questão mais relevante. Como eu escrevi neste post, é só o ser humano sentir que tem um pouco de anonimato para mostrar a sua verdadeira face. E o seu nível de inteligência também, porque tudo o que se escreve em uma rede social é público e está lá para quem quiser ver, com seu nome (não importa se é  um nick) e a sua foto (não importa se é aquele avatar do burrinho do Shrek que você costuma usar), como se você estivesse gritando aquilo em praça pública ou publicando em um jornal com a sua assinatura em baixo. Tem que assumir as consequências. Esse povo pensando que internet é brinquedo, agora tem que aguentar o peso de suas ações. Meus parabéns a OAB. É muito importante que esse tipo de crime não fique impune para que a mentalidade retrógrada de alguns nesse país mude, nem que seja na marra.

CARTA ABERTA AOS MEMBROS DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Retrato do autor no terreiro de Mãe Deda. De calças curtas e em seu habitat natural.
Senhores Deputados,

Foi com profunda preocupação que recebi a notícia de que o Deputado e pastor evangélico Edson Albertassi, membro dessa casa, apresentou um projeto com o objetivo de anular a lei que declara a Umbanda e o Candomblé bens imateriais do Estado do Rio de Janeiro. O mesmo parlamentar tem, sistematicamente, apresentado projetos de lei que atacam frontalmente as crenças afro-brasileiras e ameríndias em nome do que ele mesmo chama de conduta cristã.

Em um contexto em que demonstrações de intolerância religiosa se tornam cada vez mais costumeiras, a proposta do cruzado-legislador com sede de guerra santa se configura como ameaça aos princípios da tolerância e do respeito às diferenças, elementos básicos para o convívio fraterno da comunidade.

Certa feita escrevi um texto sobre a religiosidade brasileira e a relação de nosso povo com as divindades. Cito alguns trechos, nesse momento em que nossos ritos sofrem toda sorte de ataques, do que então expressei:

"Somos, os brasileiros, filhos do mais improvável dos casamentos, entre o meu compadre Exu e a Senhora Aparecida - a prova maior de que o amor funciona. E Tupã, que se vestiu com o cocar mais bonito para a ocasião, celebrou a cerimônia entre a cachaça e a água benta.

Uma das nossas mãos está calejada pelo contato com a corda santa do Círio de Nazaré - a outra tem os calos gerados pelo couro do atabaque que evoca as entidades. As mãos do Brasil e do seu povo.

Nossos ancestrais passeiam pela vastidão da praia sagrada dos índios de Morená, retornam à Aruanda nas noites de lua cheia, silenciam no Orum misterioso das almas e florescem encantados nas folhas da Jurema.

Os guerreiros de nossas tropas trazem a bandeira do Humaitá, o escudo de Ogum e o estandarte da pomba branca do Divino Espírito Santo - a mesma pomba que pousou na ponta do opaxorô de Obatalá. São essas as nossas divisas de guerra e paz; exércitos do Brasil."

Escrevi isso porque, senhores deputados, nasci e cresci dentro de um terreiro de macumba. Falo dessa procedência com orgulho tremendo. Minha avó era mãe de santo na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, versada nos segredos da jurema e da encantaria. Fui, por isso mesmo, batizado nos conformes da curimba - protegido pelo caboclo Pery e pelo Exu Tranca Rua das Almas e oferecido aos cuidados da lua velha, num terreiro grande de Nova Iguaçu.

Tive uma infância alumiada pelo rufar dos tambores brasileiros e pelo alumbramento com os caboclos de pena e os marujos e boiadeiros da minha macaia querida. Quem viu, viu - e sabe do que eu falo.

Em um certo momento busquei as raízes mais profundas. Fui ao candomblé, me iniciei, recebi um cargo, cantei em iorubá e conheci a religiosidade afro-caribenha. Em meu peito, todavia, continuou batendo forte a virada dos caboclos do Brasil. De mim, que atravessei o mar só para ver a juremeira, isso ninguém tira !

Conversei com Seu Zé; recebi conselhos de Seu Tranca Ruas; vi a dança de guerra de Seu Tupinambá; fui seduzido pela beleza de Mariana e pela saudade de seu navio; temi a presença de Seu Caveira; cantei a delicadeza da pedrinha miudinha; respeitei o cachimbo velho de Pai Joaquim; me emocionei quando Cambinda estremeceu para segurar o touro bravo e amarrar o bicho no mourão do tempo.

É por isso, pelo meu encanto pela Mãe d´Água, pelo temor amoroso ao caboclo Japetequara - veterano bugre do Humaitá - pela reverência aos que correram gira pelo norte, que me emociono com os santos brasileiros, pretos e índios como nós - por amor ao Brasil ! Amor bonito e dedicado, feito o cocar de Sete Flechas e o diadema de Seu Sucuri no limiar das luas.

É por tudo isso ainda, senhores, que afirmo: Não queremos converter e não queremos ser convertidos. Queremos crer apenas que o Pai maior, em Sua sabedoria, revelou-se a cada povo trajando a roupa que lhe pareceu mais conveniente para que os homens o reconhecessem, feito Zambiapungo e Olorum nos infinitos e Tupã nas matas.

Os deuses que vieram dos porões dos tumbeiros e das florestas do Brasil amenizaram séculos de dor e sofrimento e forjaram a armadura da resistência e da dignidade de um povo. Os deuses do Brasil nos ensinaram a olhar a natureza com os contornos da poesia e a delicadeza dos ritos imemoriais. Essa é a tessitura nossa de olhar o mundo.

Divinizamos os homens e humanizamos os deuses para construir uma civilização amorosa nos confins do ocidente. Em nome do oxê de Xangô, do pilão de Oxaguiã, do xaxará de Omolu e do ofá de Oxossi não há um só genocídio perpetrado na face da terra. Nunca houve qualquer guerra religiosa em que se massacraram centenas de milhares de seres humanos em nome da fé nos encantados e orixás. A insígnia de nossos deuses nunca foi a mortalha de homens comuns - nós apenas batemos tambor e dançamos, não morremos ou matamos pela nossa fé.

Eu conheci e (me) reconheci (no) meu deus enquanto ele dançava, no corpo de uma yaô, ao ritmo do vento que balançava as folhas sagradas do mariô, amansando o chão de terra batida à virada do rum. Meu general, com a majestade dos seus passos, fazia farfalhar a copa dendezeiro com a destreza de sua adaga africana. O alfanje de Ogum alumiou meu mundo.

Que cada um tenha o direito de encontrar o mistério do que lhe é pertencimento, em gentileza e gestos de silêncio, toques de tambor e cantos de celebração da vida.

Olorum Modupé, Nzambi-ampungu!

Luiz Antonio Simas, Ifábiyi.

Post original em: Histórias Brasileiras

PREPARE-SE

Dia desses chegou às minhas mãos um DVD muito interessante. Sob o título geral de "PREPARE-SE", é uma série de vídeos que falam sobre as mais diversas teorias conspiratórias e principalmente sobre os tais "Iluminati". Pelo linguajar do apresentador, acredito que o vídeo tenha origem em alguma igreja evangélica. O apresentador, cujo nome não aparece em nenhum dos vídeos, me parece ser um pastor e fala com muita eloquência. Vai mostrando uma sequência de teorias sobre os mais diversos assuntos, abordando desde eventos históricos, como o 11 de setembro até fenômenos da cultura pop, como Matrix. Suas explicações são permeadas de vídeos tirados da internet, reportagens e algumas imagens bem chocantes. A idéia defendida é de que existe uma conspiração mundial e que todos os fatos apresentados estão interligados, tendo como articuladores uma espécie de irmandade chamada "Iluminati", constituída pelas treze famílias mais poderosas do mundo e que surgiu ainda durante o período babilônico, indo para o Egito, daí para a Grécia, Roma, Inglaterra e por fim, Estados Unidos, país que seria, atualmente, o coração da organização que tem em seus quadros presidentes, artistas, banqueiros, políticos e até o próprio Hitler. Essa organização teria um plano de dominação mundial e contaria com apoio do próprio cramulhão, o anhangá tinhoso, o cânho do pé preto, através de um pacto e rituais com sacrifício de crianças.
Sinceramente, essa parte de pacto com o diabo não me convence, pois se fossemos botar na conta do coisa ruim todos os males da humanidade chegariamos à conclusão de que ele é mais poderoso do que o próprio Deus ou que Deus, sendo onipotente, seria então conivente com o mal. Para mim isso é bullshit, já que o diabo somos nós memos. Deus deu o livre arbítrio, daí o ser humano fez, e faz, as suas lambanças.
Mas, voltando ao DVD, alguns dos vídeos apresentam evidências bem interessantes de que algo estranho está acontecendo. O suficiente para me deixar bastante intrigado.
Um dos que mais me chamaram a atenção foi sobre a agência federal de controle interno, a tal FEMA, criada no governo Bush para vigiar os próprios cidadãos americanos e que já construiu mais de trezentos campos de concentração, nos moldes dos construídos pelos nazistas, com fornos e tudo, e mantem vários depósitos de caixões de plásticos, onde cabem até três pessoas adultas. Segundo informações, eles têm em estoque mais de cinco milhões desses caixões. Pra que será? Genocídio? Eliminação em massa das "raças inferiores"? Pesquisei na internet e vi que é realmente verdade, os campos de concentração, os caixões, além de trens-presídios e ônibus para deslocamento de populações inteiras estão espalhados pelos EUA, para quem quiser ver. Assustador, no mínimo.
Assisti o DVD todo. Não é cansativo e tem momentos até divertidos, como quando falam mal de Rede Globo (também, segundo eles, pertencente aos Iluminati) ou quando parodiam o filme Matrix.
Descobri na internet um link para alguns dos vídeos no you tube (http://www.youtube.com/user/verdadeoculta), caso alguém queira uma cópia do DVD, faça contato comigo.
Enquanto isso vou ficar aqui me preparando para o Armagedom.

Até lá.

EM QUEM NÃO VOTAR


Pois é! 2010 é ano eleitoral. E como sempre, aquele mesmo bando de canalhas que rouba, engana, corrompe e faz o diabo quando está no poder, se converte em singelos anjinhos barrocos, com fala mansa e olhar amigável, prometendo mundos & fundos e pedindo em troca a sua alma o seu voto. Só que comigo não, violão! A gente não está com a bunda exposta na janela!
Pelo menos quem freqüenta nosso boteco vai estar com a lista dos pilantras na palma da mão. É que eu recebi uma lista com os nomes de 155 políticos que estão ligados a processos na justiça ou têm notório envolvimento em falcatruas por aí a fora, ou seja: têm o nome sujo na praça. Pode ser que alguns dos casos nem tenham ido a julgamento ainda e por isso devemos sempre ter em mente a presunção de inocência dos acusados, que é direito constitucional, mas todos os casos foram amplamente divulgados nos meios de comunicação. E se eles puderam divulgar, eu posso aqui relembrar. A memória do povo é curta e sempre tem aqueles canalhas que conseguem ser reeleitos, reforçando em nós o sentimento de impunidade...
A lista está no link abaixo e é um documento colaborativo. Qualquer um pode editar. Portanto, se alguém lembrar de algum nome que não esteja nela, pode incluir lá (mas tem que ser um caso notório, de ampla divulgação nos meios de comunicação, não valem acusações absurdas, tipo "fulano é bicha", "beltrano me passou a perna"... não me compliquem).

Para ver/editar a lista, clique aqui: Em quem não votar em 2010.

E divulguem para os seus amigos e parentes. Não vamos cair no caô desses malandros mais uma vez!

E tenho dito!

Ps. A charge acima é do grande Gilmar Barbosa, um dos maiores cartunistas políticos do Patropi.

UPDATE: Me ocorreu agora que algum dos contemplados da nossa ilustre lista pode, ele mesmo ou algum agregado, acessá-la e apagar de lá a linha correspondente ao seu nome. Se fizer isso, vai perder seu tempo, pois eu tenho o back up, e ainda vai queimar mais ainda seu filme, pois farei questão de falar isso no blog. Vamos lá galera. Vamos fazer crescer esse rol para ver a que número chega até a eleição.

EVOLUIR É A NOSSA INSUBORDINAÇÃO


As pessoas não evoluem todas ao mesmo tempo e nas mesmas condições. Isso é fato. Começei a refletir com maior profundidade sobre essa máxima ontem à noite, ao voltar para casa de ônibus, quando vi, embaixo do ponto desativado em frente à entrada principal da CSN, um grupo de pessoas, cerca de cinco homens e três mulheres, uma delas com um bebê com alguns meses de vida. Eram jovens de cerca de 30 anos e a mulher que segurava o bebê era a mais jovem de todas, tinha no máximo 20 anos. As mulheres estavam sentadas em um dos bancos, com o carrinho do bebê parado em frente. Os homens conversavam animadamente bem próximo e dividiam uma garrafa de cachaça. Estavam todos sujos, alguns maltrapilhos. A jovem vestia bermuda e camiseta e trazia a criança enrolada em uma manta amarela. Era uma noite fria, uma garôa bem fina caia, ininterrupta.
Olhei aquela gente, observei bem a criança e lembrei do meu filho, que àquela hora deveria estar aconchegado em sua cama, bem alimentado, assistindo TV a cabo e pensando na brincadeiras que permearam o seu dia. Olhei de novo para o grupo e achei que eles pareciam não uma família, mas um bando. Um coletivo de animais perdidos em ambiente hostil, lutando pela sobrevivência. Estavam eles, em plenos 2010 anos após o nascimento de Cristo, nas mesmas condições que a humanidade estava a 10 mil anos atrás: Reunidos em bando, tentando conseguir alimento, protegendo-se mutuamente e reproduzindo-se.
Como sempre faço diante dessa cenas, comecei a me questionar: O que fazer? Como podemos mudar a situação dessas pessoas?
É bom lembrar que os moradores de rua não são o problema, mas apenas um sintoma de um mal muito maior. Nossa sociedade tem uma doença que não permite que todos tenham acesso ao mesmo grau de evolução que alguns já atingiram. Evolução material, à qual me refiro, mas que na maior parte das vezes vem atrelada à evolução espiritual. Se é dada oportunidade a pessoa de evoluir no seu grau de humanidade, possivelmente ela evoluirá materialmente também. Não significa adquirir bens inúteis, mas poder ter o mínimo para uma existência digna.
Há mais de uma década que trabalho com Educação e aprendi a compreender e respeitar o trabalho de pessoas que são educadores de verdade. Econtrei muitos nessa minha jornada. Profissionais que, a exemplo de figuras como Paulo Freire e Darcy Ribeiro, são educadores por vocação e acreditam na Educação como forma de equalizar as desigualdades sociais, marca indelével das sociedades humanas. Entendamos então o ato de educar como o de tornar possível a evolução do outro. Já não se compreende o processo de ensinar como o de simplesmente transferir informação. Temos cérebros, não hard disks. Todos são capazes de evoluir e cada qual é o principal agente do próprio desenvolvimento. Ao educador cabe apenas instigar, fazer vir à tona aquilo que já está dentro de cada um, ou seja, o poder da reflexão.
Como o próprio Cristo disse, “Vois sois todos deuses”, lembrando o Salmo de Davi (82:6) “Eu disse: sois deuses, sois todos filhos do altíssimo”, como partículas divinas, somos co-criadores e temos o poder de trabalhar a obra de Deus e desenvolvê-la, pois foi permitido ao homem compreender a criação melhor de que qualquer outro ser.
Educar é, portanto, uma missão sagrada. Levar ao homem a luz da verdadeira compreensão é contribuir para a evolução de um semelhante, unica forma de trabalharmos pela nossa própria evolução.
Quiçá um dia não teremos mais imagens de bandos de seres humanos, como animais irracionais, perdidos pelas ruas das cidades, mas todos vivendo como uma única família, entre irmãos, solidarizando-se e respeitando-se, preocupados com a evolução mútua que pode levar a humanidade a um novo patamar. Peço a Deus que zele pelo futuro daquela criança, tão recém chegada e já submetida às agruras da existência nessa sociedade injusta. Que ela encontre carinho e solidariedade e que possa se desenvolver e evoluir além da situação a qual se encontra atualmente.

ILUMINEMOS PEQUIM

Todo esse clima de eleição, política, discussões sobre ética, etc, me fizeram lembrar da saudosa revista “Chiclete Com Banana” do Angeli, lembram? Quem achou que tem alguma relação com o grupo de axé-music (arghh!!!) enganou-se redondamente... A Chiclete era uma revista de humor anárquico que circulou lá pelos idos dos anos 80... Bem, a hístória dela fica para outro post... prometo uma entrevista com o próprio Angeli... aguardem! Por hora, vou publicar um conto da série que fez muito sucesso naquela revista: “Contos Corruptos”. Este conto foi escrito pelo chinês Ka-Lao-Yeh e é uma pérola do humor político. Como já disse o filósofo: existem coisas que não mudam jamais...
ILUMINEMOS PEQUIM!

Um dia, não há ainda muitos anos, enquanto o gélido vento do norte arremetia contra as janelas do mais fechado palácio da Cidade Proibida, assobiando por entre as decorações de lacre e as pilastras de mármore, e fazendo tinir as sinetas de porcelana do telhado, toda a corte se reuniu no salão das audiências imperiais.
O vento que soprava de fora não podia penetrar no interior da “Grande Corte de Esplendor”, porque havia, estendidos por todos os cantos, pesados cortinados escarlates e dourados; a fumaça dos trípodes de bronze subia quase que verticalmente, misturando-se no alto com a fumaça dos cinqüenta braseiros de porcelana.
A sala estava repleta de dignitários: mandchus de rosto ufano e forte, chins de rabicho comprido, e, aos lados de um cortinado amarelo, os guerreiros mandchus da primeira das oito Bandeiras, com suas armaduras lavradas.
De improviso o Filho do Céu apareceu, e todos caíram de joelhos, batendo a fronte no chão, enquanto pela sala se ouvia murmurar: “Celestial Presença”, “Augusta Sublimidade”, “Eterna Serenidade”.
O Imperador sentou-se no trono, e assim falou:
A nossos ouvidos chegou a voz de que as grandes cidades habitadas pelos bárbaros de pele branca, quando a noite desenrola das alturas do céu os véus da sombra, são iluminadas por milhares de luzes em cada rua e em cada praça.
Em seguida chamou:
Ta-Ti-Po!
O Camareiro-mor, ouvindo seu nome, apressadamente se ajoelhou no primeiro degrau do trono, fitando a sua plaquinha de jade, porque era pecado olhar no rosto do Filho do Céu.
Ta-Ti-Po, tomai do nosso Tesouro um milhão de taéis, e que as ruas de Pequim sejam iluminadas como pela luz do sol.
A Cidade será iluminada — respondeu o Camareiro-mor.
Executado o “kotow”, Ta-Ti-Po abandonou a audiência imperial. Na antecâmara vestiu o traje de arminho e seda e, quase não fazendo caso das reverências com que o obsequiavam, dirigiu-se ao escritório. Ali o esperava o seu ajudante.
Chame o Grande Eunuco — ordenou.
Tomando o cachimbo de água, pôs-se a fumar. À segunda tragada, uma montanha de carne assomou na sala: era o Grande Chefe dos Eunucos.
Saiba, Grande Chefe dos Eunucos, que o Filho do Céu (que reine por mil anos), pela alta bondade de sua alma, me entregou quinhentos mil taéis a fim de que as ruas de Pequim resplandeçam à noite como de dia. Que as ruas da Cidade sejam portanto imediatamente iluminadas.
Ouvir é obedecer! — respondeu o outro, inclinando-se e cumprimentando, conforme o ritual.
O Grande Eunuco atravessou a Cidade Proibida, voltando a seu pavilhão, e ordenou ao secretário que chamasse o Governador Militar. Esperou longamente. Tao-Tai, o Governador Militar, morava na Cidade Externa, e era preciso percorrer várias ruas e fazer abrir várias portas, antes que o valente e poderoso mandchu pudesse chegar à sua presença.
O Augusto Imperador — disse o Grande Eunuco — em sua magnanimidade, estabeleceu duzentos e cinqüenta mil taéis para que as ruas de Pequim sejam iluminadas à noite. Providencie!
O Filho do Céu só concebe o que é justo. Nossa Cidade será a maior do mundo. Apresso-me a executar a vontade do Filho do Céu — respondeu o Governador Militar, que voltou imediatamente a seu yamen e mandou chamar o Chefe dos Magistrados.
Quando este, ainda ofegante pela longa corrida, foi admitido à sua presença, disse-lhe:
Tenho o prazer e a honra de informar Vossa Excelência que a Sublime Serenidade, o Filho do Céu, resolveu gastar cem mil taéis para que Pequim seja iluminada à noite. Vossa Excelência providencie.
Obedeço incontinenti — foi a resposta.
E subindo no palanquim, o Chefe dos Magistrados fez-se levar ao escritório dos Vigilantes da Cidade. Entrou. Sem responder sequer às saudações dos inferiores, disse ao Chefe dos Vigilantes:
O Filho do Céu deu-me cinqüenta mil taéis para que Pequim seja iluminada à noite. Providencie até amanhã ou receie o seu rigor!
Grande foi a surpresa da população de Pequim quando deparou, na manhã seguinte, com este manifesto, afixado por todos os cantos da cidade:
A Serena Sublimidade, o Filho do Céu, o Augusto Imperador, Soberano do Império do Meio, Senhor dos Países Bárbaros, Vassalos e Tributários, decretou que todas as ruas e praças de Pequim sejam e permaneçam iluminadas desde a primeira hora da noite até o romper da aurora.
Portanto todo chefe de família, todo artesão, todo mercador providenciará para que seja aceso um lampião fora da porta externa de sua casa, de sua oficina, de sua loja.
Perderá a vida quem transgredir a ordem, que será cumprida com o máximo rigor”.
E foi assim que o Imperador, na noite seguinte, olhando pelas janelas do sétimo andar do pagode de porcelana construído sobre a colina artificial do jardim imperial, pôde ver a cidade iluminada, como por milhões e milhões de vagalumes diminutos a devorar a vasta escuridão, mas não soube jamais de que forma tinha sido gasto o milhão de taéis que orçara para aquele fim.

Mercado Livre

"Quando o processo histórico se interrompe... quando a necessidade se associa ao horror e a liberdade ao tédio, a hora é boa para abrir um bar."
W. H. Auden